LARRY HAMA | O homem no comando em ação dos G.I. Joe e do melhor Wolverine

Larry Hama é um dos profissionais mais completos da indústria de quadrinhos nos Estados Unidos. Começou como letrista (de Wally Wood, um gigante das HQs), foi desenhista (lápis inicial), arte-finalista (tintas), escritor (roteiro) e editor (a coordenação de todos esses trabalhos) na Marvel Comics e DC Comics, as duas maiores editoras de HQs de super-heróis do mercado.

Poucos passaram por tantas etapas assim, e menos ainda o fizeram conjugando 2 deles, e Larry Hama era um deles: várias vezes escreveu e desenhou suas histórias.

Wolverine, um dos personagens mais famosos da cultura pop hoje em dia, teve uma das melhores fases nos quadrinhos pela mão do artista, que junto com os desenhos de Marc Silvestri, representou um mix perfeito de roteiro & arte: dinâmico, cinético, urgente, cool – tudo que uma história em quadrinhos escapista deve ser.

Larry Hama
Wolverine de Larry Hama e Marc Silvestri

Larry Hama

Além de um artista completo, Larry Hama é ator (!) e músico (!!), e está na área de entretenimento desde o começo dos anos 1960, onde segue ativo até hoje — acabou de finalizar um revival de seu run em Wolverine.

De roteiros a edição de revistas em quadrinhos de barbarismo a humor, de super-heróis a militares, de criações originais a licenciadas, tudo que passou pelas mãos de Larry Hama ganhou algum toque especial.

O grande destaque de sua carreira vai para o que ele fez nas revistas em quadrinhos do G.I. Joe., o nome original da linha de action figures (“hominho” no Brasil deveria ser o nome obrigatório), e que ficou mais conhecida por aqui como Comandos em Ação.

Larry Hama
Em 2 de março de 1982, saiu G.I. Joe #1

O trabalho de Hama na HQ era uma narrativa militar bem violenta na medida do possível, cheia de jargões e termos do meio, misturadas com filosofia oriental, artes marciais, ninjas e muitas referências históricas.

  • Nesta matéria, os trabalhos mais importantes de Larry Hama na Marvel e DC, a razão de seu G.I. Joe/Comandos em Ação e Wolverine serem materiais obrigatórios na gibiteca de qualquer fã, e como seu trabalho impactou a indústria.

Os trabalhos de Larry Hama foram uma grande influência no mercado e ajudaram a definir o estilo e o tom de vários títulos icônicos, e teve um impacto significativo em outros aspectos.

Americano de nascença (Nova York, EUA) e de ascendência japonesa, Hama usou essa perspectiva para criar personagens de diferentes origens étnicas em G.I. Joe, o que ajudou a diversificar a representação desses personagens nos quadrinhos, o que foi um grande avanço na época, como incluir diversos asiáticos, como a ninja Jinx (G.I. Joe #59, de 1987).

Larry estudou judô, luta de espadas (iaido), arco e flecha (kyudo) e cresceu vendo filmes de samurai e mangás, e usou isso em seus trabalhos nos quadrinhos cerca de 10 anos antes da popularidade das HQs japonesas estourar nos Estados Unidos (por volta dos anos 1980).

Eu gosto de ver coreografias reais nas lutas, golpes e contragolpes, isso causa efeito e resultados. É o tipo de coisa que vemos nos mangás“, afirmou o artista em entrevista para a Marvel Age #87 (1990), a revista de informações, entrevistas, artigos e novidades da própria Marvel Comics.

Snake Eyes vs. Storm Shadow vs Comandante Cobra, arte de Mike Zeck

Nascido em NY e criado no Queens, Hama estudou artes na Manhattan’s High School of Art and Design, com Bernard Krigstein como professor, outra lenda (do começo) dos quadrinhos, além de ter como colegas de classe Frank Brunner e Ralph Reese, dois artistas importantes do mercado. Isso seria apenas ponta de uma carreira rica em contatos com os grandes das HQs.

Larry Hama e Wolverine

Nas mãos de Larry Hama, Wolverine se tornou uma máquina imparável de matar, além de ser jocoso, aventureiro e cool como jamais tinha sido até então. Ele escreveu a revista por 7 anos.

Larry Hama

Larry Hama
Uma das melhores cenas no primeiro arco de Larry Hama na revista de Wolverine
Larry Hama
O Wolverine mais legal está aqui
Larry Hama
Wolverine, anos 90. Só quem viveu sabe

Larry Hama

Nem tudo foi perfeito, mas a fase com certeza se destaca das demais pela qualidade praticamente constante. Larry Hama começou a roteirizar a revista do mutante mais famoso dos X-Men a partir de Wolverine #31 (1990), que também foi a estreia de Marc Silvestri nos desenhos, vindo diretamente do sucesso arrasador que fazia em X-Men, com arte-final na maioria das vezes por Dan Green, um dos melhores arte-finalistas dos quadrinhos (que acompanhava Silvestri na revista dos mutantes).

Larry escreveu 84 números da revista, e colocou o Wolverine: contra a Yakuza (um dos mais famosos — e reais — sindicatos do crime do Japão); os Carniceiros (cyborgs assassinos de mutantes) e a Lady Letal, com parte da aventura na Espanha durante a Segunda Guerra Mundial (!); um clone robótico, Albert, criado por Donald Pierce (o líder dos Carniceiros).

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama

MARC SILVESTRI | A cinética e dinâmica na narrativa visual

DAN GREEN | O incrível poder da arte-final na Marvel

CYBER FORCE | Os mutantes cibernéticos dos anos 90 na Image Comics

Larry criou uma tetra enorme envolvendo seu arqui-inimigo Dentes de Sabre, que aqui chega a ser considerado pai do herói (!!); descobrindo segredos explosivos na icônica Wolverine #50 (1992), com verdades (e mentiras) a respeito do Programa Arma X, que o transformou na máquina de matar que conhecemos; no fim dos tempos com Mística, Espiral e Mojo; na trama que culmina com a morte do grande amor de sua, Mariko, em Wolverine #57 (1992), que também marca a despedida de Marc Silvestri do título que desenhou por 23 edições — ele saiu da Marvel para co-fundar a Image Comics .

Larry Hama
Uma das melhores capas dos quadrinhos de super-heróis

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama
Wolverine na melhor arte que já passou seu gibi: Marc Silvestri e Dan Green
A fase seguinte teve muitos números desenhados por Adam Kubert

Hama também fez mais uma sequência de histórias envolvendo mais segredos do Programa Arma X e Raposa Prateada (seu primeiro grande amor); contra Sauron na Terra Selvagem; os Sentinelas; em uma situação terrível seum seus ossos revestidos de adamantium, já que Magneto os extirpou em X-Men #25 (1992), revista escrita por Fabian Nicieza e desenhada por Andy Kubert, na culminação da megassaga Atrações Fatais; contra o mercenário tagarela Deadpool, no primeiro encontro dos 2; e na lamentável sequência até a fatídica Wolverine #100 (1996), quando Genesis, o filho louco de Cable, tenta reintroduzir o adamantium em seus ossos, tornando-o um verdadeiro…animal-cachorro?!? — um dos momentos mais baixos do herói (e do Larry Hama), terminando em uma penosa e lenta recuperação (com ajuda de Elektra), até o artista encerrar seu run na fase Operação Tolerância Zero, em Wolverine #118 (1997).

Uma das piores edições comemorativas de 100 números dos quadrinhos de super-heróis

Hama sempre gostou de personagens como Wolverine e Conan (que ele editou nas revistas da Marvel), que “arrebentam portas” para entrar, dizer e fazer o que querem. E era esse tipo de história, aliada com a cinética dos mangás, e potencializada com o casamento perfeito com a arte de Marc Silvestri que possibilitou que seu run fosse o mais puro suco de diversão escapista badass das HQs de super-heróis.

Quando cheguei ao Wolverine, a revista estava muito perto de ser cancelada (…) Eu acho que eles acharam que eu não poderia estragar mais do que já estava, então eles me deixaram fazer o que eu quisesse. Dois anos depois, era a HQ número dois (de vendas) no país. Veja, eu não sou um cara ‘de histórias’, eu sum um cara ‘de personagem’. Para mim, um enredo é apenas uma estrutura básica para pendurar grandes personagens. Eu estava preocupado com o eu interior de Wolverine – seu centro moral e ético e como isso contrastava com seu exterior rude“, afirmou o artista em uma entrevista ao CBR.

Larry Hama
Segredos da época do serviço secreto (canadense e americano) e Programa X pelas mãos de Larry Hama

Como toda carreira longa nas HQs, Hama não foi imune a fracassos e obras terríveis, como a introdução do herói adolescente em corpo de homem Rage nos Vingadores, em um arco de histórias que não se sustentou (8 números, de Avengers #326-333, de 1990, com Bob Harras como editor na época, vamos culpá-lo) ou esse infame Wolverine “cachorro” (o editor? Bob Harras).

O homem no comando da ação

Larry Hama

Wolverine só perde em quantidade de trabalho de Larry Hama na Marvel para G.I. Joe: A Real American Hero/Comandos em Ação, que Larry Hama escreveu por inacreditáveis 148 edições por mais de 12 anos, desde o número #1 (lançada em 2 de março de 1982, há pouco mais de 41 anos). Isso se formos contar apenas o título principal, sem especiais, one-shots e spin-offs, o que chegaria perto dos 200.

Larry Hama escreveu G.I. Joe por 12 anos seguidos, desde o primeiro número
Arte promocional dos Comandos em Ação pela arte de Michael Golden com os inimigos dos G.I. Joe, a organização terrorista Cobra
Edições especiais do G.I. Joe também foram assinadas por Larry Hama

Larry ficou até 1994 e se tornou o principal roteirista da série e o mais celebrado do fandom até hoje. Hama encorpou criativamente as ideias iniciais apresentadas nas bios escritas nas cartelas e embalagens dos “hominhos” e deu mais estofo e lastro para as narrativas da equipe G.I. Joe em suas missões contra a organização terrorista Cobra.

Michael Golden foi o melhor artista que a revista teve — que careceu de bons desenhistas em seus 12 anos na Marvel Comics

A série de quadrinhos se tornou um sucesso imediato e acabou se tornando uma das séries mais populares da Marvel na época, superando até as revistas originais de super-heróis da casa.

Os brinquedos tornaram-se imediatamente populares e a linha de produtos se expandiu para incluir veículos, bases e acessórios. A linha de brinquedos G.I. Joe continuou a ser produzida por muitos anos e ainda é popular entre colecionadores e fãs.

Mike Zeck foi outro grande capista de G.I. Joe

Um ano depois dos quadrinhos Marvel de Larry Hama, uma série animada foi produzida pela Sunbow Productions e lançada, alcançando sucesso igual.

Snake Eyes no desenho animado

Foi o editor Jim Shooter quem colocou Larry Hama para escrever Comandos em Ação, depois que outros escritores da Marvel recusaram o trabalho. Hama já estava com algumas ideias na cabeça, chegando a apresentar para a Marvel o conceito da Fury Force, um spin-off de Nick Fury: Agent of S.H.I.E.L.D., na qual contaria as missões de uma força especial de elite, um projeto que não foi para frente, mas que nos Comandos em Ação seria perfeito.

Rascunhos de Fury Force, por Larry Hama, para a Marvel

Larry deu personalidade para cada um dos personagens em seu longo run, e o fato da franquia ter várias personagens femininas, como Scarlett, Baronesa e outras, trouxe um inesperado público feminino para a série.

Hama deu vida a figuras unidimensionais de brinquedo com algo real e sólido no papel, com até mesmo críticas que notavelmente escapavam dos olhos da Marvel e Hasbro (dona da franquia) — Cobra é uma desconstrução do capitalismo americano que salta aos olhos de quem enxerga mais do que uma simples organização terrorista.

Em #G.I. Joe #19 (1984), temos um fala tão poderosa que é impensável ter sido publicada na época, já que a HQ era propriedade de 2 corporações imensas, cheias de pressões comerciais. A arte é de Mike Vosburg.

Diálogos de Larry Hama

Algumas das edições se tornaram clássicos dos quadrinhos. G.I. Joe #21 trouxe a inovadora história Silent Intruder, totalmente sem diálogos, escrita e desenhada por Larry Hama, com arte-final de Steve Leialoha.

A capa já entrega: “The Most Unusual COMIC BOOK Story Ever!“. Ela se tornou histórica pelo fato não ter balões de fala, e foi continuamente copiada em praticamente todo quadrinho americano até os dias de hoje.

Uma das melhores histórias “mudas” dos quadrinhos americanos foi feita por Larry Hama — roteiro e arte

Alguns números depois, tivemos G.I. Joe #26, de novo escrita e desenehada por Larry Hama, com a origem de Snake Eyes, um dos personagens mais queridos pelos fãs da franquia.

A despeito do mote de militarização e fetichização por armas e violência que G.I. Joe/Comandos em Ação inerentemente entrega, Hama era bem consciente de seu papel como condutor dessa HQ.

Ele serviu na Guerra do Vietnã de 1969 a 1971 e estava mais do que por dentro e apto para falar sobre o universo bélico. E isso também deu base para o que ele escreveu em The ‘Nam, a revista que ficou conhecida no Brasil como O Conflito do Vietnã, que mostrava essa narrativa bem longe do mood super-heróis da Marvel, em um dos mais subestimados títulos da editora.

Em 1987, a Hasbro lançou Tunnel Rat, um “hominho” com as feições de Hama, como forma de homenagem ao criador das histórias da HQ. E não demorou muito para que ele também fosse trazido ao universo de papel, na edição #59.

Larry Hama nos G.I Joe. Literalmente

Em 1994, o acordo com a Hasbro acaba, e o título é encerrado no #155.

Michael Golden em G.I. Joe
Os Comandos em Ação da Marvel é um material obrigatório

Mas em 2006 Larry Hama assumiu de novo os Comandos em Ação, publicados agora pela editora Devils Due Publishing. A revista G.I. Joe Declassified mostrava histórias de quando o General Hawk ainda estava recrutando membros para G.I. Joe (antes da timeline estabelecida pela Marvel). Um ano depois, Hama também escreveu 7 edições de um especial dedicado ao ninja Storm Shadow.

Em 2008, a Hasbro foi com a editora IDW para produzir novos quadrinhos, com Larry Hama nos roteiros. Primeiro foi uma minissérie especial em 4 edições, G.I. Joe Origins, que no fim se tornaram 19 números.

Foi o sucesso dela que levou a IDW a continuar a timeline de onde os Comandos em Ação pararam na Marvel, e contar histórias dos personagens como se fosse um “pós #155 da Marvel” — sendo a edição saiu como #155.1!

E novamente tivemos um longo run de Hama nos Joes.

A edição “1” de G.I. Joe da IDW é na verdade a #155.1 pós-Marvel. A capa brinca com isso
Uma das melhores interações editoriais do mercado americano de HQs

Desde 2010, Larry Hama escreveu inacreditáveis 146 números, praticamente igualando sua trajetória na Marvel Comics. Ele só deixou o título no número #300, publicado em novembro de 2022, quando a a Hasbro encerrou a licença com a IDW.

Larry Hama
O número 300 de G.I. Joe, última edição pela editora IDW, lançada em novembro de 2022

Marvel, DC, IDW e Bat-Hama

Ralph Reese, colega de Larry na escola de arte, era assistente do já citado Wally Wood, artista lendário que fez trabalhos incríveis na Marvel Comics e EC Comics, e ajudou Hama a entrar no ramo das HQs.

Hama de início ajudou nas letras de tiras de quadrinhos de obras como Sally Forth, uma comédia romântica, e Cannon, ambos no final dos anos 1960. Cannon era uma tira exclusiva das revistas militares americanas, especialmente destinada aos soldados no front.

Foi reunida depois em compilados por diversas editoras, e foi a segunda obra publicada pela editora Pipoca e Nanquim em 2017 no Brasil. Hama fez ilustrações para as revistas de entretenimento Esquire e a Rolling Stone, e graças aos contatos que fez trabalhando com Wood, conseguiu trabalho com Neal Adams (outra lenda das HQs), no estúdio Continuity do artista (junto com Reese, Frank Brunner e Bernie Wrightson — esse, pra variar, mais uma lenda das HQs).

O Comandante Cobra na arte de Neal Adams

O primeiro trabalho de Larry Hama nos quadrinhos da DC Comics foi em Weird Worlds #2 (1972), na história Slaves of the Mahars, onde arte-finalizou os desenhos de Alan Weiss.

Larry acabou sendo editor de vários títulos da empresa, como Mulher-Maravilha, Super Amigos, O Guerreiro, Jonah Hex, Senhor Milagre e outros, bem como fez artes para outras. Uma delas foi em Men of War #98 (1978), em uma história que desenhou o Ás Inimigo, um piloto alemão na Primeira Guerra Mundial, escrita pelo seu criador, Robert Kanigher.

Larry Hama
Arte de Larry Hama para um dos melhores personagens desconhecidos da DC Comics

Na Marvel Comics, entrou graças ao editor Jim Shooter (que o contratou junto com Al Milgrom), depois da passagem de ambos na DC. Seu primeiro trabalho foi com o Punho de Ferro, em Marvel Premiere #16-19 (1974), sucedendo ninguém menos que o desenhista Gil Kane, já um gigante na época, em cima do roteiro de Len Wein e Roy Thomas, que recontaram a origem de Daniel Rand e como ele se tornou o Punho de Ferro.

Foi aqui que Larry Hama introduziu um conhecido diagrama, o símbolo do 63º hexagrama do I Ching. No caso, estava na roupa de Lei Kung, O Trovão, personagem do lore do herói que ainda não tinha sido apresentado visualmente.

Larry Hama

Larry Hama
Arte de Larry Hama para o Punho de Ferro
O 63º hexagrama do I Ching

Tempos depois, Hama usaria o mesmo design de símbolo para o clã Arashikage, o mais famoso clã de ninjas dos Comandos em Ação — Snake Eyes e Storm Shadow que o digam.

Em 1975, Larry Hama escreveu e desenhou 4 edições de Wulf the Barbarian para a editora Atlas, uma divisão de quadrinhos da Seaboard Periodicals, selo editorial de um dos inúmeros rolos que Martin Goodman, chefão da Marvel, fazia com a empresa, e que foi produzido na Continuity.

Larry foi um dos pioneiros em fazer uma splash page, termo dado para desenhos que ocupam duas páginas, com claras influências de seu mestre Wally Wood.

Larry Hama
Arte de Larry Hama

Entre 1977 e 1979, Larry escreveu 3 números da Creepy, da editora Warren, especializada em terror.

Texto de Larry Hama em revistas da Warren

Na Continuity de Neal, Hama co-criou o personagem Bucky O’Hare (1978), que se desdobrou para uma linha de brinquedos e série animada, algo bem peculiar para uma criação fora do eixo Marvel-DC.

O personagem foi feito em conjunto com o desenhista Michael Golden, e narra as aventuras de um coelho antropomórfico envolvido em uma guerra intergalática.

Por falar nisso, enquanto fazia a revista em quadrinhos do Comandos, Larry Hama trabalhou em um monte de outros títulos da Marvel, nas mais variadas funções. Ele editou A Espada Selvagem de Conan — uma revista formato magazine que trazia histórias preto e branco do Conan, O Bárbaro, criação pulp do escritor Robert E. Howard, licenciada para os quadrinhos da Marvel — começando seu trabalho no número #83 (1982).

Foram 35 edições, inclusive a #100 (1984) — saiu no número #123 (1986). Ele já fazia essa função em Conan The Barbarian (essa sim, uma revista padrão colorida iguais aos super-heróis), em 33 números, entre o #117 (1980) e o #224 (1989), com alguns ele mesmo escrevendo.

Larry Hama faz parte da mitologia do Conan

Larry Hama adaptou o filme 007 – Somente Para Seus Olhos (1980) em Marvel Comics Super Special #19 (1981), desenhada por Howard Chaykin (e cagado na arte-final por Vince Coletta). Hama era tão versátil que também foi editor de séries humorísticas da Marvel, como Crazy (um dos vários clones da imbatível Mad no mercado) e Peter Porker The Spectacular Spider Ham (1983-1987), uma paródia do Homem-Aranha como um porco humanóide; editou a minissérie do Homem-Máquina, Machine Man #1-4 (1984); desenhou (e J.M. deMatteis escreveu) Marvel Comics Super Special #37 (1985), que trazia a adaptação do filme 2010 – O Ano que Faremos Contato (1984), a continuação do clássico 2011 – Uma Odisséia no Espaço (1968), de Arthur C. Clarke e Stanely Kubrick; editou 5 números da Dakota North (1985), revista da detetive de mesmo nome, escrita por Martha Thomases com arte de Tony Salmons; 19 números de The ‘Nam a partir de 1986, com artes de Michael Golden; escreveu Transformers (também da Hasbro) para a divisão inglesa da Marvel (Marvel UK), em 40 números entre 1988 e 1990; escreveu 16 números da revista Nth Man: The Ultimate Ninja (1989-1990), sobre um ninja de uma força especial militar em um mundo devastado por uma Terceira Guerra Mundial; e escreveu várias edições do Justiceiro, com 6 edições de Punisher War Zone (1993) e outros especiais, em uma saga que culminaria com o Justiceiro pirando a ponto de matar Nick Fury (só que não), entre muitos outros.

 

Larry Hama
Uma das fases mais loucas do Justiceiro tem roteiros de Larry Hama

Quando deixou os Comandos em Ação, Larry Hama escreveu: 12 edições de Blaze (1994), a revista de Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma; sua única revista dos X-Men, X-Men Unlimited #9 (1995); várias edições e especiais do Venom a partir da segunda metade da década de 90; 6 números de Geração X (1997), a tentativa noventista da Marvel de criar novos Novos Mutantes; o crossover Team X/Team 7 (1996), que juntou os soldados e agentes da superequipe secreta da Image Comics com Wolverine, Dentes de Sabre e Maverick nos tempos de serviço secreto.

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama

Larry Hama
Team X e Team 7 juntos

Larry Hama foi um dos únicos artistas a escrever em Akira (uma pequena história na última edição, #38, de 1996, desenhada por Bret Blevins, que também trouxe outra história escrita por Warren Ellis e ilustrações de vários outros artistas), naquela que é a obra máxima do mangaká Katsuhiro Otomo, que licenciou sua obra para a Marvel Comics, que a publicou em sua linha Epic Comics, com leitura “ocidentalizada” e colorida por Steve Oliff, um material que jamais será republicado; 6 edições de Elektra (1998), na época desenhada pelo artista brasileiro Mike Deodato; Wild Thing, minissérie de 5 edições lançada em 1999 com a filha de Wolverine e Psylocke de um futuro alternativo, além de dezenas de outros trabalhos.

Marvel + Epic Comics = Akira
Capa brasileira dessa versão de Akira pela editora Globo

Larry Hama

Larry Hama
Um dos poucos escritores a figurar em…Akira? Sim.

AKIRA | Katsuhiro Otomo, James Dean e uma HQ de sumô para criar o cyberpunk

WOLVERINE & DESTRUTOR: FUSÃO | O selo Epic Comics da Marvel

Larry Hama também editou o especial Wolverine: Saudade #1 (2007), escrito por Jean David Morvan e desenhado por Philippe Buchet, em uma história de Logan em férias no Nordeste brasileiro, onde acaba se envolvendo numa conspiração envolvendo criminosos, exploração de menores e moradores das favelas de Fortaleza.

Os trabalhos mais recentes de Larry Hama foram iWolverine #1-2 (2020), com arte de Roland Boschi, em uma história do Albert, o clone robótico do Wolverine; uma minissérie de 6 edições do Punho de Ferro, Iron Fist: Heart Of The Dragon (2021), com desenhos de Dave Wachter; X-Men Legends #7-9 (2021), com arte de Billy Tan, que retoma aventuras na continuidade noventista dos personagens, no caso, uma trama envolvendo Wolverine, Jubileu, Lady Letal, Dentes de Sabre e o Ômega Vermelho, e a minissérie Wolverine: Patch (2022-2023), com arte de Geoffrey Shaw, na mesma pegada: 5 edições que se passam na época que Logan usava o “disfarce” de Caolho em Madripoor, ilha asiática fictícia do Universo Marvel, em uma história muito divertida envolvendo militares russos renegados, Nick Fury e criminosos.

Larry Hama

Larry Hama
Uma pequena retrospectiva de Logan por Larry Hama

Outros trabalhos de Larry Hama na DC Comics incluíram alguns bem legais do Homem-Morcego. Ele escreveu Batman: Toyman #1-4 (1988-1989), Batman: Legends of the Dark Knight #121-122 (1999), sendo que a primeira estabelece pela primeira vez o Senhor Frio com o mesmo design apresentado no desenho animado de sucesso do Morcegão; Detective Comics #736 (1999); Batman #575-581 (2000), com os 7 números desenhados por Scott McDaniel, sendo que grande parte desses últimos eram da saga Terra de Ninguém, em uma sequência ótima de histórias escritas por Greg Rucka, Devin K. Grayson e Bob Gale, além de diversos autores convidados.

Falando em Batman e Wolverine, é preciso destacar o Garra das Trevas, criação de Larry Hama com o desenhista Jim Balent. É o Wolverine e Batman na mesma pessoa, no contexto da Amálgama Comics, uma brincadeira comercial, criativa e editorial da Marvel e DC, quando as duas editoras juntaram forças para criar um universo único com seus personagens misturados uns com os outros.

Larry Hama
Wolverine + Batman = Garra das Trevas

O Garra das Trevas era Logan Wayne, com aparição única em Legends of the Dark Claw #1 (1996). Na época, Larry Hama ainda escrevia o Wolverine, e Jim Balent era o desenhista regular da Mulher-Gato e eventualmente do Batman.

Larry escreveu e editou várias edições especiais da megassaga Convergência, que antecedeu o Renascimento, saga soft reboot de 2016 que redefiniu o hard reboot dos Novos 52 (de 2011).

Hama também desenhou o título do Exterminador, escrito por Christopher Priest. A revista Deathstroke teve 11 números com artes de Larry, e é nesse título que temos uma das poucas criações suas na DC: a equipe Project Defiance, co-criado com Priest e o desenhista Carlo Pagulayan.

Mais que um ponto fora da curva nas HQs, o profissional Larry Hama não cabia em si somente na Nona Arte. Seu talento ia além. Larry Hama é um ativista da comunidade asiático-americana, e em seus trabalhos em cinema e teatro, ele atuou no seriado de humor militar M*A*S*H* (1976), o programa de humor Saturday Night Live (1979) e em peças na Broadway (meca do teatro na América) no fim dos anos 70.

Larry Hama

No filme G.I. Joe – A Origem de Cobra (2009), Larry Hama fez uma participação especial no longa, dirigido por Stephen Sommers.

Arte promocional do filme. Olha o anagrama aí do Clã Arashikage

Fora das HQs, Larry Hama escreveu episódios da série animada do G.I. Joe (1984-1991), o roteiro do game de ação Wolverine Adamatium Rage (1994), 2 episódios da série animada X-Men (aqueles que adaptam a saga da Falange nas HQs), o game X2 – Wolverine’s Revenge (2003) e a série das Tartarugas Ninjas que foi feita em 2003.

Cena de um dos episódios
Larry Hama
Diálogos de Larry Hama
Larry Hama
História silenciosa de Larry Hama
Larry Hama
Snake Eyes vs Storm Shadow na arte de Larry Hama

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Larry Hama

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