ROOKIE – UM PROFISSIONAL DO PERIGO | Raul Julia e o vilão que a indústria insistia em lhe dar

Imagine Rookie – Um Profissional do Perigo um filme que chega em 1990 prometendo ser mais um Dirty Harry disfarçado de novo título, mas que, no meio do caminho, decide que a melhor forma de reinventar a fórmula buddy cop é colocar uma cena de estupro masculino entre o astro mais durão de Hollywood e uma das atrizes mais celebradas do cinema brasileiro. Isso é The Rookie, lançado no Brasil como Rookie — Um Profissional de Perigo (1990), dirigido por Clint Eastwood, um filme onde a testosterona genérica do gênero policial dos anos 80 tenta, sem muito sucesso, sobreviver à virada da década.

Nick Pulovski (Clint Eastwood), veterano de cabeça quente da polícia de Los Angeles, perde o parceiro para a bala de Strom (Raul Julia), cabeça de uma quadrilha de roubo e desmanche de carros de luxo. Afastado do caso oficialmente, Pulovski decide continuar a investigação por conta própria — mas agora precisa engolir a parceria com David Ackerman (Charlie Sheen), detetive novato, rico, que segue as regras e carrega culpa pela morte do próprio irmão. A dupla se aproxima de Strom através de sua sócia e amante Liesl (Sonia Braga), enquanto o roteiro segue à risca o manual do gênero: perseguições, explosões, um chefe que quer o distintivo do herói, e um vilão que existe basicamente para dar um rosto ao clímax de ação em Rookie – Um Profissional do Perigo.

Rookie - Um Profissional do Perigo
Clint Eastwood e Charlie Sheen

Rookie – Um Profissional do Perigo
(The Rookie, 1990,
de Clint Eastwood)

Rookie não esconde que é uma colagem de coisas que já funcionaram antes — a própria crítica da época apontava isso com precisão: veterano de cabeça quente + parceiro morto + novato que precisa aprender as regras é uma equação repetida à exaustão desde pelo menos 48 Horas (1982) e Máquina Mortífera (1987). O roteiro de Boaz Yakin e Scott Spiegel tenta encontrar ângulo novo dando ao novato um trauma familiar e origem de classe alta, mas a caracterização não sai do papel — o filme está mais interessado em manobras automobilísticas do que em qualquer personagem.

O ponto de maior desconforto — e o que faz o filme ser lembrado até hoje, ainda que pelo motivo errado — é a cena em que Liesl, sob a mira de uma arma, força Pulovski a um estupro (pois é). É uma inversão de gênero do clichê do vilão que ameaça a heroína, mas Rookie – Um Profissional do Perigo não sabe o que fazer com essa inversão além de choque gratuito: não há comentário, não há consequência narrativa de peso, é puro espetáculo de constrangimento.

Serve como um sintoma perfeito de um cinema de ação que, em 1990, ainda não sabia lidar com poder e violência sexual fora do script mais óbvio (vilão ameaça mulher indefesa) — e que, ao inverter os papéis, só descobre que não tinha nada de interessante para dizer sobre o assunto de qualquer forma.

Rookie - Um Profissional do Perigo
Rookie – Um Profissional do Perigo

Eastwood em Rookie – Um Profissional do Perigo é o próprio Dirty Harry comentando (ainda que involuntariamente) sobre sua própria obsolescência. Pulovski é, em praticamente todos os aspectos, uma repetição do arquétipo Harry Callahan — o policial de Dirty Harry que não segue regras, que despreza a burocracia, que resolve tudo com violência pessoal — só que agora datado, careca de ideias novas, cercado por um elenco jovem que representa a “nova geração” do gênero.

Não é acidente que, dois anos depois, o próprio Eastwood dirigiria Os Imperdoáveis (1992) — filme que desconstrói precisamente esse mito do pistoleiro/policial duro que Rookie reafirma sem qualquer ironia. Visto retrospectivamente, Rookie é o último suspiro do Eastwood-ícone-de-ação antes da virada autocrítica que definiria a segunda metade de sua carreira como diretor. É, involuntariamente, um filme sobre um homem (e um astro) que ainda não sabe que está prestes a se reinventar.

As sequências de perseguição são o ponto alto genuíno do filme — praticamente todas com carros reais, sem CGI, incluindo a cena (hoje uma curiosidade histórica do gênero) de um carro atravessando a rampa de carregamento de um caminhão-cegonha em movimento. O orçamento foi considerado um dos mais altos da carreira de Eastwood até então. Mas o excesso de espetáculo não é acompanhado por roteiro ou atuação à altura: os diálogos são engessados, blocos de frase de efeito sem a autoconsciência cômica que outros filmes do gênero usavam para não se levarem tão a sério.

“The Rookie” é um título genérico o bastante para já avisar o espectador de 1990 que não haverá originalidade — “novato” é rótulo, não personagem. O título brasileiro, Rookie — Um Profissional de Perigo, curiosamente mantém a palavra em inglês (talvez porque “novato” sozinho vendesse pouco) e acrescenta um subtítulo genérico de ação típico da distribuição brasileira da época, no mesmo estilo de dezenas de outros filmes policiais renomeados para reforçar o apelo de gênero.

Rookie – Um Profissional do Perigo chega num momento específico e um tanto amargo dessa trajetória: já consagrado por O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, pelo qual William Hurt, seu parceiro de cena, ganharia o Oscar, Raul Julia continuava sendo, na prática de Hollywood, frequentemente relegado a papéis de vilão étnico genérico. Em Strom, ele interpreta um criminoso de ascendência alemã com sotaque carregado — um papel caricato que a crítica da época já notava com desconforto, descrevendo o ator como visivelmente cansado e sem grande interesse em dar mais do que o mínimo contratual ao personagem.

Rookie - Um Profissional do Perigo
Raul Julia e Clint Eastwood

É o mesmo padrão de subutilização que marcaria boa parte de sua carreira em Hollywood nos anos 80 e 90: talento reconhecido nos palcos e em papéis autorais, mas frequentemente convocado pelos estúdios apenas para preencher a cota do “vilão latino” ou “vilão europeu genérico” em produções de ação de orçamento médio-alto — um padrão de typecasting que só seria parcialmente rompido em seus dois últimos trabalhos, A Família Addams (1991, como Gomez Addams, seu papel mais adorado pelo público) e Amazônia em Chamas (1994), pelo qual ganharia Emmy e Globo de Ouro póstumos, pela interpretação magnífica do ativista ambiental Chico Mendes.

Charlie Sheen atravessava, na época da filmagem, uma fase pessoal notoriamente turbulenta — problemas com substâncias que, segundo relatos da época, teriam afetado a energia de algumas de suas cenas mais intensas no set.

Sonia Braga fazia aqui sua primeira incursão em um blockbuster de ação americano — um território bem distante do cinema mais autoral com que era associada até então. É a terceira parceria dela com Raul Julia, depois de O Beijo da Mulher-Aranha (1985) e Luar sobre Parador (1988) — mas, ao contrário dos dois primeiros encontros, aqui os dois praticamente não compartilham química ou diálogo relevante em cena, um desperdício notado até pela crítica da época.

Rookie - Um Profissional do Perigo
Sonia Braga

Boaz Yakin, antes de escrever Rookie, havia escrito o primeiro filme da Marvel a chegar aos cinemas, o subestimado Justiceiro (1989), com Dolph Lundgren, dirigido por Mark Goldblatt (editor de clássicos como O Exterminador do Futuro, Rambo II e O Predador 2). Depois de Rookie, Yakin se estabeleceria como diretor de peso com Duelo de Titãs (2000), com Denzel Washington — e escreveria ainda Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010) e a sequência Dirty Dancing 2 — Noites de Havana (2004).

Scott Spiegel, o outro roteirista, vem de um circuito ainda mais peculiar dentro do terror B: foi co-roteirista de Uma Noite Alucinante 2 (1987), de Sam Raimi — seu colega de longa data.

Clint Eastwood
Do pistoleiro sem nome ao ícone em transição

Rookie - Um Profissional do Perigo

Clinton Eastwood Jr. nasceu em 31 de maio de 1930, em San Francisco, Califórnia. Antes de se tornar diretor, construiu carreira como ator em westerns de TV (a série Rawhide, nos anos 1950-60) e, principalmente, na trilogia de spaghetti westerns de Sergio LeonePor um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966) — que o consagrou internacionalmente como “O Homem Sem Nome”.

De volta aos EUA, tornou-se sinônimo do policial duro e sem paciência para burocracia através da franquia dos filmes de Dirty Harry, como Perseguidor Implacável (1971, o primeiro dos cinco filmes), papel que definiria sua persona pública por décadas — e que Rookie, quase duas décadas depois, parece reciclar quase sem reflexão.

Como diretor, Eastwood debutou com Perto do Abismo (1971) e construiria, ao longo dos anos, uma segunda carreira tão relevante quanto a de ator: venceria o Oscar de Melhor Diretor duas vezes, por Os Imperdoáveis (1992), que reescreve criticamente o próprio mito do pistoleiro que ele ajudou a consolidar, e por Menina de Ouro (2004). Rookie – Um Profissional do Perigo fica situado, portanto, exatamente na dobradinha entre essas duas fases: ainda o astro de ação convencional, a apenas dois anos de se tornar o cineasta que desconstruiria essa própria imagem.

Charlie Sheen

Charlie Sheen, nascido Carlos Irwin Estévez em 3 de setembro de 1965 em Manhattan, EUA, é filho de Ramon Antonio Gerard Estevez, o ator de cinema mais conhecido como Martin Sheen, em uma tradição de pai e filho de profissão e adoção de nome artístico.

Martin e Janet Sheen tiveram mais três filhos: Emilio Estevez, Renée Estevez e Ramon Estevez, todos também atores. Emilio é o que mais conseguiu proeminência como Charlie, mas manteve o nome original no show business. A família tem várias ascendências: Martin é meio espanhol e irlandês, e a família de Janet é inglesa e escocesa.

A primeira participação de Charlie foi em A Execução do Soldado Slovik (1974), ainda bem criança, papel de figurante graças aos esforços de seu pai.

Martin Sheen foi ator de vários filmes, uma carreira longa e de sucesso. Um de seus maiores feitos foi ser protagonista de Apocalypse Now (1979), grande clássico dos cinemas, um dos maiores filmes de guerra já feitos, dirigido por Francis Ford Copolla, em uma história de bastidores tão épica quanto o próprio longa.

Trata da Guerra do Vietnã e muito mais. Um pesadelo psicológico e uma jornada terrível aos recônditos da miséria humana. De 8 indicações ao Oscar, Apocalypse Now levou 2: Melhor Fotografia e Melhor Som. Concorreu aos principais: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Edição…

Uma das cenas mais icônicas de Apocalypse Now, com o Capitão Willard (Martin Sheen)
Apocalypse Now

Não há superlativos o suficiente para descrever Apocalypse Now!, levemente baseado no livro No Coração das Trevas (1889), de Joseph ConradO jovem Carlos tinha muito gosto pela atuação e baseball. Junto com Rob Lowe e Sean Penn — que também se tornariam astros do cinema –, faziam produções caseiras em formato Super-8. Seu primeiro papel de destaque nos cinemas foi em Amanhecer Violento (1984), seguido de aparições em seriados de TV.

Amanhecer Violento

Apenas dois anos depois, seria o protagonista de outro grande filme de guerra nos cinemas — tal qual seu pai. E também sobre a Guerra do Vietnã.

Platoon (1986), ganhador de vários Oscar, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Sheen interpretou Chris , um jovem soldado que foi por escolha própria para o Vietnã, e que tem uma crise moral no meio do conflito, graças ao imenso magnetismo de dois sargentos de temperamentos completamente opostos: Barnes (Tom Berenger) e Elias (Willem Dafoe, que concorreu ao Oscar de Melhor Ator).

Charlie Sheen é Chris em Platoon
Berenger, Sheen, Dafoe e o diretor, Oliver Stone

Platton levou o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor SomFoi fazendo Platoon que Sheen encaixou a filmagem de A Aparição (dizem que filmou sua participação em poucos dias, já que aparece em tela menos de 30 minutos). Também no mesmo ano, ele teve uma participação em Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes.

Sheen ficou na farra 2 dias seguidos sem dormir para ter esse aspecto na hora de filmar

O sucesso do filme fez Stone escalar Sheen novamente em Wall Street: Poder e Cobiça (1987), outro filme premiado, onde pode atuar ao lado do pai, Martin Sheen, exatamente como filho dele na trama.

A parceria foi encerrada quando Oliver estava pra fazer Nascido em 4 de Julho (1989). Charlie iria estrear, mas Tom Crise entrou na jogada.

Dizem que Charlie soube que estava fora do filme quando Emilio mostrou uma notícia do filme em um jornal. O ator e o diretor nunca mais trabalharam juntos desde então. No mesmo ano Charlie estrelou Atraídos pelo Perigo.

Charlie Sheen continuou fazendo outros filmes, como Os Jovens Pistoleiros (1988), Garra de Campeões (1989), fez o Rookie – Um Profissional do Perigologo depois, emendou Comando Imbatível (1990) e Top Gang! Ases Muito Loucos (1991).

Os Jovens Pistoleiros, onde Charlie atuou junto com seu irmão, Emilio Estevez

YOUNG GUNS | Os Jovens Pistoleiros do Velho Oeste

No começo dos anos 90, Charlie começou usar quantidade homéricas de drogas, ao mesmo tempo que dedicou a se tornar viciado em sexo, sempre com prostitutas, modelos e atrizes em seu entourage. Esse “descontrole controlado” que marcaria seu mood para sempre.

Essa espiral resultou em problemas com a Justiça quando foi acusado de agressão por Brittany Ashland, sua ex-namorada. Na época, ele estrelou filmes de pouco destaque, como A Invasão (1996) e Conspiração (1997).

A sorte de Chjarlie Sheen começou a mudar (mais ou menos) nos anos 2000. Limpo das drogas (não das mulheres), Charlie entrou no lugar de Michael J. Fox no seriado Spin City (1996), nas duas últimas temporadas (2001-2002), o que o deixou na mira da emissora CBS.

Uma de suas namoradas, e depois esposa, mais famosa, foi a modelo e atriz Denise Richards. Eles tiveram 3 filhos, mas ela se separou do ator quando estava grávida de 6 meses do terceiro, alegando diferenças irreconciliáveis.

Foi quando o seriado Dois Homens e Meio (2003) estrelou com Sheen como protagonista, em um avatar quase perfeito do próprio ator, como Charlie Harper, um mulherengo irresponsável que se vê obrigado a acolher o irmão fracassado e problemático e o sobrinho.

Charlie Sheen se tornou gigante: um dos mais bem pagos da indústria e com prêmios e mais prêmios pela qualidade do seriado (que realmente é bem legal).

A série ainda consegue ser engraçada mesmo com todo o peso do politicamente incorreto dos anos 2000

Ele ficou na série até a oitava temporada (2010), quando saiu após uma briga com o showrunner da série, Chuck Lorre.

Sheen então dedicou grande parte de seu tempo a participações especiais em outros trabalhos menores, como Tratamento de Choque (2012), no qual tentava emular seu mood próprio com algo de Charlie Harper, sem alcançar o mesmo sucesso. Em 2015, Charlie admitiu estar com AIDS (contraída 4 anos antes anos), em uma entrevista no programa de Matt Lauer, o Today. Ele fez isso principalmente para impedir chantagem por dinheiro em cima de aproveitadores, que já sabiam da doença.

Sonia Braga

Rookie – Um Profissional do Perigo é o terceiro filme de Raul Julia com Sônia Braga. Eles fizeram juntos O Beijo da Mulher-Aranha (1985) e Luar sobre Parador (1988). Também estrelaram juntos o premiado Amazônia em Chamas (1994), telefilme celebrado da HBO que retratou a luta do ativista seringueiro Chico Mendes nas florestas amazônicas no contexto da indústria da borracha.

Sônia Braga é um dos maiores monumentos do cinema brasileiro, fazia sucesso constante nos EUA depois da repercussão por lá de Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, e teve influência na decisão de filmar em Ouro Preto. Sonia fez 85 filmes em uma carreira rica e talentosa que permanece ativa até hoje. Nascida Sônia Maria Campos Braga em Maringá, Paraná, no dia 8 de junho de 1950, ela é atriz e produtora, e seu trabalho em Dona Flor foi um dos marcos do cinema brasileiro, uma das maiores bilheterias do país até hoje.

O BEIJO DA MULHER-ARANHA | Um dos melhores filmes do cinema com Raul Julia

Sonia Braga em O Beijo da Mulher-Aranha

Por Luar sobre Parador (1988), Sônia foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em 1989 — perdeu para Sigourney Weaver, por Uma Secretária do Futuro. Raul Julia também foi indicado a Melhor Ator Coadjuvante por Luar Sobre Parador, mas quem venceu foi Martin Landau por Tucker: Um Homem e seu Sonho.

Raul Julia
(1940-1994)

Rookie - Um Profissional do Perigo
Raul Julia em Rookie – Um Profissional do Perigo

Raul Julia tinha 54 anos quando morreu no North Shore University Hospital, em consequência de um derrame cerebral que sofreu dia 16 de outubro de 1994. Julia era filho de um comerciante porto-riquenho, e chegou a Nova York em 1964. Começou a ser conhecido no final dos anos 1960 por sua participação no Festival Shakespeare novaiorquino, onde ele afiaria seu talento como ator.

Nos anos 1970, teve 12 trabalhos entre TV e filmes. Nos anos 1980, esse número aumentou para 23. O ator morreu em 1994, mas fez alguns de seus filmes mais conhecidos nessa década.

O lado artístico veio de sua mãe, Olga, uma cantora mezzo-soprano, e sua gana de trabalho e atuação elétrica provavelmente vieram de seu pai, Raúl Juliá, um engenheiro elétrico (ele também foi pioneiro ao trazer a pizza para Porto Rico, além do frango frito).

A formação escolar de Raul se deu no Colegio San Ignacio de Loyola, de orientação católica-jesuíta. Desde cedo, o pequeno Raul Rafael demonstrava interesse pelas artes dramáticas.

E quando ficou grande — grande mesmo, com 1,87 de altura — se encantou com a performance do ator Orson Bean em uma boate noturna, o que fez tomar a decisão de estudar teatro na Universidade de Porto Rico.

Se mudou para Manhattan (NY), em 1964, e rapidamente encontrou trabalho em peças e shows da Broadway. E fora os seguidos trabalhos nos palcos lhe abriram as portas para o audiovisual gravado.

Seu talento com a voz também foi bem explorado, com ele cantando em 5 de seus filmes. Raul foi nomeado 4 vezes como Melhor Ator em Musical para o prêmio Tony Awards, o maior e mais prestigioso prêmio do teatro dos EUA, equivalente ao Oscar no cinema, Emmy na televisão e Grammy na música. Ganhou em 1972, por Two Gentlemen of Verona; Where’s Charley?, de 1975; pelo seu Macheath em The Threepenny Opera, de 1977; e Nine, de 1982.

Raul Julia adoeceu por conta de complicações de saúde, e ficou internado um tempo em Nova York, EUA. Ele estava lendo o roteiro de A Balada do Pistoleiro, filme de Robert Rodriguez, na cama de hospital, de onde tinha certeza que sairia.

Mas seu estado de saúde piorou. Ficou em coma por vários dias e faleceu no dia 24 de outubro de 1994, aos 54 anos de idade. Raul Julia teve funeral de estado em Porto Rico, onde foi sepultado com todas as honrarias.

Era apoiador ativo de The Hunger Project, uma fundação de combate à fome no mundo. Por 17 anos, Raul Julia serviu de porta-voz da fundação. O Internet Movie Database dá 50 créditos de atuação de Raul Julia como ator em produções de cinema e filmes para a TV.

O imenso legado criativo de Raul Julia no cinema será resenhado numa Maratona Raul Julia, tal qual já fizemos por aqui com a atriz Jennifer Connelly, e traremos todas essas produções para cá.

JENNIFER CONNELLY | Pequena biografia de uma grande atriz

/ A MARATONA CINEMATOGRÁFICA RAUL JULIA.

1 – Os Viciados (1971)
2 – Been Down So Long It Looks Like Up to Me (1971)
3 – A Organização (1971)
4 – Death Scream (1975)
5 – Uma Corrida de Loucos (1976)
6 – Os Olhos de Laura Mars (1978)
7 – Othello (1979)
8 – Uma Vida em Pecado (1979)
9 – Ripe Strawberries (1980)
10 – O Fundo do Coração (1981)
11 – Strong Medicine (1981)
12 – O Pequeno Mágico (1982)
13 – Tempestade (1982)
14 – O Beijo da Mulher-Aranha (1985)
15 – Posições Comprometedoras (1985)
16 – Mussolini (1985)
17 – La gran fiesta (1986)
18 – Fuga do Inferno (1986)
19 – A Manhã Seguinte (1986)
20 – Álamo – 13 Dias de Glória (1987)
21 – Tango Bar (1987)
22 – Onassis: The Richest Man in the World (1988)
23 – Corações Trocados (1988)
24 – O Penitente (1988)
25 – Luar sobre Parador (1988)
26 – Conspiração Tequila (1988)
27 – Romero (1989)
28 – O Príncipe dos Mendigos (1989)
29 – Acima de Qualquer Suspeita (1990)
30 – Frankenstein, o Monstro das Trevas (1990)
31 – Rookie: Um Profissional do Perigo (1990)
32 – Havana (1990)
33 – A Família Addams (1991)
34 – A Peste (1992)
35 – A Família Addams 2 (1993)
36 – Amazônia em Chamas (1994)
37 – Street Fighter – A Última Batalha (1994)
38 – Torturados (1995)

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